Em sua nona edição, o projeto Circuito Atelier, da C/Arte, coordenado pelos historiadores Fernando Pedro e Marília Andrés Ribeiro, traz a arte de Isaura Pena, com o lançamento do livro-depoimento, vídeo e exposição na internet. Isaura Pena (Belo Horizonte, 1958), graduou-se pela Escola de Belas Artes da UFMG, estudou litografia com Lotus Lobo e participou do núcleo de arte experimental de Amílcar de Castro. Atuou no ateliê Risco e Rabisco -– com Andréia Guimarães, Eduardo Motta e Patrícia Leite – e no Ateliê Bonfim, com Roberto Guimarães, Getúlio Moreira e Marcos Benjamim. Atualmente é professora de desenho do curso de artes plásticas da Escola Guignard. No livro-depoimento – organizado por meio de entrevistas da artista a Teodoro Rennó Assunção – Isaura Pena revela o que define sua obra, a começar pela importância e função do suporte (o papel), do material (em que se sobressai o nanquim) e das cores (em uma reflexão sobre o branco e preto).

Fernando Pacheco (São João del Rei, 1949) mostrou ao público mineiro seus mais recentes trabalhos na exposição "Gráficos" [Galeria AM (Rua Professor Morais, 476), outubro e novembro].
Fernando depõe: "Nos últimos meses me dediquei a uma profunda investigação através de minha linguagem plástica, originando como conseqüência uma nova proposta estético/conceitual do meu universo pictórico. Todo o trabalho é denominado "Gráfico", pelo aspecto gráfico intrínseco de cada quadro e pela proposta ou possibilidade de dupla leitura (como duas variaveis em um gráfico matemático). Uma das leituras se daria de forma mais visual, na própria retina, seguindo a variável mais pictural e de tendência construtiva do trabalho. A outra, mais intimista e cerebral, privilegiando a qualidade do desenho segue a tendência humanística existente em minha obra.
A "malha" Gráfica dos trabalhos é constituída por uma grande diversidade de elementos figurativos ou abstratos particularmente em preto e eventualmente em cores, colhidos de amplo universo. São elementos colecionados no subconsciente e coletados das ruas, da vida ou da própria arte. Um animal, um rosto, um fetiche, um ícone ou o desenho de uma escultura do Amílcar podem aparecer em minhas telas.
São símbolos circunstanciais. Têm a ver comigo e as pessoas não precisam prestar atenção a estes símbolos e sim ao conjunto como um todo. Conjunto formado por camadas ou simples pontos de cor e linhas, meramente". Portanto, cabe às pessoas, juntamente comigo, a investigação desta linguagem e a tentativa de se aprofundar e de se descobrir novos aspectos do que estou brincando de chamar humanismo construtivo".

Está novamente à disposição do público o livro "Os Caminhos da Arte", de Maria Helena Andrés. Lançado pela Editora Vozes, em 1977, o livro foi relançado pela Editora C/Arte, na coleção Arte e Ensino. Maria Helena Andrés (Belo Horizonte, 1922) iniciou sua formação artística nos anos 40, erguendo a sua obra com base em várias linguagens – a pintura, o desenho, a tapeçaria e a gravura – além de conciliar a carreira de escritora e professora. A partir da década 70, iniciou trabalhos de pesquisa sobre a integração cultural Ocidente-Oriente. No livro "Os Caminhos da Arte", a autora registra importantes momentos da consolidação da arte moderna, considerando a importância de cada um deles para a definição de um novo caminho para as artes, o qual passa a ser construído em constante integração com fenômenos atuais tais como as novas tecnologias. Sua reflexão enfatiza a importância da criatividade estendida à vida e a busca de novos valores baseados na simplicidade e no respeito à natureza.

MURAL

Isaura Pena no "Círculo do Atelier"

 

 

"Humanismo Construtivo" de Fernando Pacheco

 

 

Caminhos de Maria Helena Andrés